À medida que os modelos de IA exigem cada vez mais poder de computação, desenvolvedores buscam alternativas aos data centers tradicionais. Dois projetos destacados pela Cointelegraph — Acurast e Phase — estão construindo redes descentralizadas que recrutam smartphones ociosos para fornecer poder de processamento distribuído em tarefas como raspagem de web, cibersegurança e inferência de IA.

Pool de smartphones em crescimento da Acurast

Segundo a Cointelegraph, a Acurast já integrou mais de 335 mil smartphones, com cerca de 40 mil dispositivos contribuindo ativamente com computação todos os dias. O co‑fundador Alessandro De Carli afirma que o pool ativo equivale à capacidade de aproximadamente 2.340 servidores de data center de alta performance quando comparado ao servidor AI ASUS RS720A‑E11. A rede foca em workloads que se beneficiam da segurança de hardware embutida nos smartphones e em tarefas intensivas de CPU que requerem ampla distribuição geográfica.

Proxy móvel da Phase e modelo de precificação

A Phase lançou o Phase Proxy em outubro de 2026, permitindo que proprietários de telefones forneçam conectividade à internet e validação blockchain para agentes de IA. O fundador Kirill Eves diz que o serviço ajuda a contornar a limitação de taxa dos data centers ao rotear o tráfego por conexões móveis residenciais. A Phase cobra 0,5 USDT por 1.000 requisições e 1 GB de tráfego, e planeja introduzir o Phase Router, que direcionará dinamicamente solicitações simples para modelos baseados em telefone ou para provedores externos como OpenAI e Anthropic, conforme custo e desempenho.

Desafios técnicos e econômicos

Observadores da indústria alertam que coordenar uma frota global de telefones traz obstáculos não vistos em instalações centralizadas. Um estudo de 2025 citado pela Cointelegraph mostrou que pequenos clusters controlados de smartphones podem igualar o desempenho da nuvem em tarefas de reconhecimento de imagens, mas implantações reais precisam lidar com drenagem de bateria, variabilidade de rede e hardware heterogêneo. Markus Levin, da XYO, argumenta que redes descentralizadas podem se sobressair na coleta de dados do mundo real em vez de rodar grandes modelos de IA, enfatizando que qualquer solução viável deve resolver um problema pago ao invés de depender de especulação de tokens. O esquema de compensação da Acurast, que varia recompensas com base no tempo de atividade do dispositivo, especificações de hardware e demanda, reflete a dificuldade de criar um modelo financeiramente sustentável.

O que observar a seguir

Coberturas futuras acompanharão a escalabilidade das redes da Acurast e da Phase à medida que expandem além de smartphones para desktops e GPUs, monitorarão a adoção por desenvolvedores de IA que buscam computação custo‑efetiva e avaliarão a vigilância regulatória em torno do processamento descentralizado e da privacidade de dados.