Na terça‑feira, eleitores em no mínimo 29 jurisdições dos EUA aprovaram medidas que banem ou impõem novas restrições ao desenvolvimento de data‑centers de inteligência artificial, conforme reportado pela Decrypt e The Washington Post. As iniciativas de voto, que apareceram em 3 de novembro em dez estados, refletem um crescente repúdio às enormes demandas de energia, água e capacidade da rede dos centros de computação de IA.

Distribuição geográfica e resultados das votações

Ohio registrou os resultados mais decisivos, com todas as dez medidas apoiadas pelo grupo de base Conserve Ohio sendo aprovadas. Mais de 75 % dos eleitores em Hubbard apoiaram a proibição, enquanto Granville, Trenton e Sunbury apresentaram margens de aprovação entre 78 % e 82 % para restrições. No Centro‑Oeste, o município de Joliet, Illinois, rejeitou uma proposta consultiva favorável a data‑centers de IA em quase 80 %, e Janesville, Wisconsin, viu mais de 60 % dos eleitores exigirem nova votação pública antes de qualquer grande desenvolvimento em um antigo site da General Motors ligado a um data‑center proposto.

Natureza das medidas

Os itens de voto variaram em força legal. Alguns eram banimentos vinculantes que interromperiam diretamente a construção, enquanto outros eram votações consultivas não vinculantes que sinalizam o sentimento público sem parar automaticamente os projetos. Treze medidas foram formuladas para apoiar o desenvolvimento de data‑centers; rejeitá‑las também conta como derrota para os desenvolvedores. No total, 28 das 41 medidas acompanhadas pela Ballotpedia foram redigidas de modo que um voto “sim” restringiria o desenvolvimento.

Reação da indústria e contexto político mais amplo

Empresas de IA já sentem a pressão. Companhias como a OpenAI começaram a renomear suas instalações como “campi de computação” para se distanciar da percepção negativa dos projetos de data‑centers. Ao mesmo tempo, figuras políticas que defendem fiscalização mais rigorosa foram eleitas, incluindo a democrata Gina Hinojosa no Texas e a governadora‑eleita de Ohio, Amy Acton, ambas apoiando moratórias a novas infraestruturas de IA. O CEO da BlackRock, Larry Fink, alertou que uma moratória nacional poderia desencadear uma recessão, ressaltando as preocupações do setor sobre o impacto econômico de restrições amplas.

O que observar a seguir

Desenvolvimentos futuros dependerão de se as legislaturas estaduais transformarão esses votos locais em políticas mais amplas, de como as empresas de IA ajustarão suas estratégias de localização e do desfecho das ações judiciais pendentes que contestam a autoridade municipal sobre infraestrutura de serviços públicos. Monitorar mudanças nas tarifas de energia, estudos de capacidade da rede e novas medidas de voto no ciclo eleitoral de 2027 será crucial para avaliar a trajetória de longo prazo da expansão de computação de IA nos Estados Unidos.