Fundador da Tron, Justin Sun, entrou com um pedido de sanções contra a World Liberty Financial (WLFI), empresa cripto afiliada a Trump, argumentando que a companhia ocultou sua propriedade dos Emirados Árabes Unidos para driblar uma decisão de um tribunal federal dos EUA em um processo de fraude de US$ 45 milhões. O pedido, protocolado em 3 de novembro de 2026, busca penalizar a empresa por supostamente ter falsificado sua afiliação nacional enquanto o tribunal decide o destino dos tokens WLFI congelados de Sun.

Suposta mudança na divulgação de propriedade

Segundo a BeInCrypto, a petição inicial da World Liberty listava apenas uma entidade registrada na Flórida como proprietária. Dentro de uma semana de uma audiência em agosto que foi parcialmente desfavorável à empresa, a companhia apresentou uma lista revisada com 22 proprietários distribuídos entre Flórida, Delaware, Porto Rico e os Emirados Árabes Unidos. Sun sustenta que a inclusão de partes ligadas aos Emirados indica uma reclassificação estratégica para invocar regras de jurisdição de investidores estrangeiros, que normalmente impedem tribunais dos EUA de julgar casos envolvendo investidores estrangeiros contra empresas estrangeiras.

Contexto da conexão com os Emirados Árabes Unidos

O Wall Street Journal noticiou no início do ano que a Aryam Investment, empresa apoiada pelo xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, conselheiro de segurança nacional dos Emirados, adquiriu 49 % da World Liberty por cerca de US$ 500 milhões. Democratas do Senado solicitaram audiências sobre essa participação, e investigação da BeInCrypto vinculou a maior parte do banco de stablecoins ligado a Trump a um corretor de energia de Abu Dhabi. Sun argumenta que esses vínculos foram ocultados até que a empresa precisasse de uma rota de fuga jurisdicional.

Implicações para os tokens WLFI congelados

A carteira de Sun continha cerca de 2,9 bilhões de tokens WLFI na época da ação em abril, avaliados em aproximadamente US$ 150 milhões com base no preço atual de US$ 0,05111 por token. A World Liberty descreveu o congelamento como uma medida de segurança rotineira e entrou com contrademanda por difamação na Flórida. O pedido de sanções, se concedido, poderia obrigar a empresa a pagar multas e influenciar se o congelamento será considerado legal. Sun indicou que uma decisão negativa o levaria a reenviar o caso para o tribunal estadual da Califórnia, atrasando ainda mais uma decisão final.

O que observar a seguir

O próximo desenvolvimento crucial será a decisão do juiz sobre o pedido de sanções de Sun, que pode criar precedentes sobre como tribunais dos EUA tratam projetos cripto com propriedade mista nacional e estrangeira. Observadores também acompanharão qualquer resposta da World Liberty, incluindo possíveis negociações de acordo ou novas ações judiciais. Por fim, o escrutínio político mais amplo sobre a participação dos Emirados na empresa ligada a Trump pode gerar novas investigações congressionais ou revisões regulatórias.